quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quando uma boa alimentação não importa mais

Esse texto é nada mais, nada menos do que uma crítica a sociedade pós-moderna. Pós-moderna? Não sei se esse é o termo correto que devo empregar, me refiro a uma família com cinco filhos e em dificuldade financeira. Uma expressão melhor para a crítica a seguir, seria sociedade nutricionalmente pós-moderna. Ou uma sociedade nutricionalmente atrasada para ficar mais claro.
Não citarei nomes e nem ilustrarei o texto com fotos reais da situação, pois o objetivo desse, digamos assim protesto, não é exatamente criticar essa família e sim o consumo de alimentos que em certas situações não são necessários.

Os vizinhos

Cuidar de cinco filhos adolescentes hoje em dia e em todos os dias que ficaram no passado não é uma tarefa fácil, acredito que até em situações em que dinheiro não é o problema principal. Agora na pobreza essa aventura pode se tornar mais complicada, principalmente quando se diz respeito à alimentação.
O que me causou toda essa revolta traduzida aqui em palavras é que essa situação acontece com a família que habita a casa ao lado da minha e posso ver diariamente cenas que mostram que, mesmo com poucos recursos que deveriam ser utilizados com a compra de alimentos que compõe a cesta básica e complementos essenciais à boa alimentação, como legumes e frutas, por exemplo, entre outros bens indispensáveis, o que se vê são caixas de pizza, vasilhames de cerveja e guardanapos engordurados que ficam jogados na calçada logo após as festas que acontecem na moradia com chão de terra, devido ao desgaste do cimento causado pelo passar dos anos.

Para piorar, os dias pós-festa apontam a dificuldade e a pouca educação do grupo quando se trata de qualidade de vida, representado pela mãe que fica sentada na frente do portão chorando pitangas, reclamando do desemprego do marido, da gravidez precoce da filha e consequentemente da falta de ter o que comer. Passado um tempo, o filho mais novo ou até mesmo a avó se dirige até as casas vizinhas à procura de um saco de feijão ou então um ovo que servirá de almoço para toda essa gente.

Semanas seguem, o marido arruma um bico e trás dinheiro suficiente para mais um churrasquinho e novamente muita bebida. Assim o chefe de família alimenta aos poucos o vício da pobreza. A saúde é ignorada, fato claramente explícito diante do desleixo visível dos pais para com os filhos. Uma lata de cerveja ou várias delas, substituem o tomate, a laranja e até a carne que poderiam encher a geladeira dessa casa e garantir sustento por talvez toda a semana que virá pela frente. Mas a semana de fartura é trocada pela felicidade instantânea de uma noite de bagunça e negligência.

Falta educação? Falta ajuda ou sobra irresponsabilidade? Dentro do contexto, irresponsabilidade deve ser a resposta.

As soluções para o problema eu não escreverei, pois seria necessário um grande prolongamento dessas linhas de revolta.
Deixo apenas uma dica, o necessário não é o mais caro e a fome não se mata toda no presente. Em um futuro bem próximo ela voltará e deixará sua marca no estômago e a vontade de comer virá à tona. E ai meu amigo é bom você se certificar de que as panelas estão cheias ou então sair atrás de um pacote de feijão ou um ovo será a única chance de garantir a sobrevivência de sua família por mais alguns dias.

1 Comentário:

Chaves Papel disse...

Isso é muito triste.

Eu acho que é muita irresponsabilidade também.

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